segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A esperança de tudo se ajeitar

E, começa um novo ano... E, mesmo que isso signifique apenas que todos que seguem um calendário convencionaram que tudo fica para trás e começamos tudo de novo após mais uma noite, o efeito não é de se jogar fora. São milhões, até bilhões de pessoas pensando que "daqui pra frente tudo vai ser diferente", como diz o cantor. Mais do que fogos, mais do que o branco e dourado, mais do que os votos, vale a vontade de estar diferente no novo ano. E, fazer novos os dias do novo ano. Essa é a esperança que podemos a cada virada, de ano, de mês de dia, levar. Separações às vezes parecem becos sem saída. Às vezes parecem finais apenas. Demoramos para ver nelas o início de algo, portas e caminhos. Em 2012, e em todos os nossos dias, desejo aos leitores do nosso blog a esperança e a possibilidade de ver caminhos, sempre...
Um 2012 pleno de esperança a todos!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Pluriparentalidade: você sabe o que é isso?

Há pouco tempo atrás, nas redes sociais foi veiculada uma polêmica discussão sobre o que é uma família, baseada, se não me engano em uma propaganda de uma partido político que definia a família como um homem, uma mulher e filhos. Houve uma indignação em defesa de outras formas de relacionamento humano que são famílias como as famílias em que o casal é formado por dois homens e duas mulheres. A reflexão que tenho hoje é, independente do sexo das pessoas que decidem inaugurar uma família, como fica a parentalidade após uma separação. Por parentalidade, entendo a tarefa, o lugar, tando do pai como da mãe junto a seus filhos. É uma palavra meio nova e que junta a maternidade e a paternidade.
Quando há a separação dos pais de uma criança, o exercício da parentalidade é um desafio complexo. Cada um em uma casa, muitas vezes sem a possibilidade de conversar sobre os filhos. A disjunção entre a parentalidade e a conjugalidade é um dos maiores nós com que lidamos nas separações e divórcios... É muito difícil separar, especialmente, sob grande emoção, o seu (sua) ex do pai (mãe) dos seus filhos. Para as crianças ou não tão crianças que tem os pais separados, é a garantia de um processo melhor com desdobramentos mais suaves. Os pais e mães que moram sozinhos com seus filhos e aqueles que não residem com eles, mas convivem de outras formas, criam a cada dia novas maneiras de exercer a parentalidade que não a clássica em que pais e mães moram juntos. E, quando se agregam novos companheiros, filhos de outras uniões destes a configuração vai ficando cada vez mais parecida com uma grande teia. Temos de novo famílias grandes, com quatro, cinco filhos ou mais...
As clássicas formas, boas ou não, que aprendemos, não funcionam com tanta facilidade. A distribuição de autoridade, de responsabilidade, de afetividade, às vezes fica complicada. Hoje em dia, criou-se até um novo nome para isso: a pluriparentalidade. A palavra é até difícil de falar. De viver, então...
Mas, complexo, não quer dizer ruim ou impossível. Quer dizer que, como as relações humanas em geral, dá trabalho... Existem inúmeras famílias de segundo, terceiro, etc. casamento que são felizes e experimentam a criação de relações de afeto, confiança, solidariedade e inclusão. Em outras, os caminhos são mais difíceis e às vezes precisam de ajuda para não criar, ao contrário, rompimentos, mágoas e dores que não cicatrizam. Aprender uns com os outros é um recurso muito útil nesses momentos. Que tal usar? Podemos perguntar, nos juntar e conversar.




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Continuando....

Continuando no tema das redes, hoje temos uma comemoração de Natal do grupo que acabamos de realizar com pessoas que passaram pelo divórcio em suas famílias. Homens, mulheres e jovens (filhos de pais separados). Essa comemoração, em que a iniciativa, a organização e tudo o mais foi dos participantes do grupo, me dá a certeza de que um dos principais objetivos do grupo foi alcançado. Os grupos são formas das pessoas formarem, ampliarem ou ativarem redes sociais de pertencimento. Ao acabar o grupo, a convivência que tiveram, as conversas, etc. fazem com que todos tenham vontade de continuar conversando. Mas, não necessariamente no grupo. Muito mais interessante é participar desse movimento, espontâneo que continua, amplia o trabalho. Não são todos que estão neste movimento e os que estão não estão igualmente. Daqui a algum tempo, talvez ele cesse. Mas, importante, algumas pessoas permanecerão na vida uns dos outros e algumas são boas lembranças de boas conversas, o que também compõe a nossa rede. São como as luzinhas coloridas de Natal. Trazem algum brilho, luz, para nosso dia a dia.
Boa celebração de final de ano para nós e nosso grupo!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Com quem eu conto

Uma das coisas mais difíceis de lidar na separação é a rearrumação do que chamamos redes sociais. As redes sociais são aquelas relações que fazem parte de nossa vida de formas muito diferentes a cada momento, mas quando não estão, mesmo por um momento fazem com que  a gente se sinta menos a gente mesmo. Pode ser um grande amigo, daqueles que você sabe que pode ligar de madrugada e ele vai responder, mas pode também ser o jornaleiro, que sempre dá bom dia, todos os dias quando você sai para o trabalho. As redes sociais são parte do que somos no mundo.
As separações geram mudanças repentinas, às vezes explosivas, nas redes. Pessoas que faziam parte do seu cotidiano, já não estarão lá no dia seguinte, etc. A parte boa é que elas se refazem e conhecemos outras pessoas que passam a fazer parte de nossas vidas.
Uma reflexão útil sobre as redes é pensar com quem eu conto para determinadas coisas na vida. Por exemplo, com quem eu conto para me divertir? E, para me ajudar com as crianças? Para me ouvir quando estou precisando falar? Para me aconselhar com dinheiro? Enfim, essa reflexão permite que vejamos onde nossa rede é mais rica, onde precisamos olhar com mais cuidado. E, principalmente vermos que não estamos sozinhos e, muito provavelmente, fazemos parte da rede de muitas outras pessoas também.
Até breve

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

De novo... Novidades!

Mais uma vez, um tempinho no blog... Mas, foi por um bom motivo... Pelo menos um deles. Estávamos, eu Nadia Moritz e Bia Costamilan, ocupadas fazendo o grupo novo que será tema da minha tese de doutorado. Foram 10 encontros com muito tudo: emoção, conversa, aprendizado. Enfim, entre preparação, realização e etc. acabou-se o tempo (escasso) de escrever por aqui. Agora, espero voltar e ir contando aos poucos a vocês como foram nossos encontros. Por hoje é só, porque todo o inestimável material que foi gerado nesses encontros, me espera... Até a próxima!

domingo, 28 de agosto de 2011

OUTRAS SEPARAÇÕES


"Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."
Vinícius de Moraes

Gostaria de falar hoje de um tema que machuca tanto quanto, mas não se trata de separação entre um homem e uma mulher, de um divórcio, mas separações de pessoas que mantém fortes laços de amizade, laços familiares e relacionamentos de trabalho.
Tudo vai andando bem, até que um dia... a coisa desanda. E tem consequências...

Toda e qualquer separação dói, tenha a natureza que tiver. Dói muito, machuca, fere.
Abrir mão, mesmo que não se querendo, mas se tendo que, de um amigo/a querido/a, dói .
Abrir mão de um contato mais próximo com um parente querido, mesmo que
tenhamos razões de sobra, para tomarmos esta atitude, dói.
Abrir mão de um amigo/a de trabalho, em quem depositávamos confiança, dói.

Essa dor se chama saudade de não podermos mais ter o convívio cotidiano com essas pessoas. Não podemos contar mais com suas presenças, por quê? Por que, por mais que doa, o contato estava nos afetando, não era mais prazeroso. Algo nestas pessoas nos fazia sentir desconfortáveis, sem a espontaneidade em sermos nos mesmos.

Com certeza um dia a saudade vai apertar e vem o pensamento, que vontade de saber como ele/a vai tocando a vida, doeu tanto nele/a quanto para mim?

Mas uma crença e uma idéia, que cada vez me parece mais sábia é que devemos selecionar com quem queremos nos dar: dar a nossa amizade, dar nosso carinho, dar nossa disponibilidade emocional.

Em alguns casos este afastamento, mesmo que doloroso, nos faz pensar melhor no que é bom para o nosso convívio e no que não é, quem nos enriquece, e quem não, quem nos alimenta de afeto, e quem não, quem nos ouve e quem não é capaz disso.

À quem podemos retribuir com a mesma disponibilidade, este afeto e este cuidado?

Com o afastamento podemos pensar melhor, com maior clareza, sem tantas interferências, na nossa escolha. Para escolher precisamos de momentos só nossos, de introspecção, de um mergulho em nos mesmos, para respondermos questões que só nós sabemos as respostas.

Concluímos então, que as separações que vimos, nos traz vantagens de termos as rédeas de nossas vidas, escolhendo o que é melhor para nós, e não nos permitindo viver a dor que machuca, que nos fere e que nos deixa impotentes frente a vida.




terça-feira, 16 de agosto de 2011

SuperAção

As segundas-feiras parece que tudo fica mais difícil, depois de um fim de semana sem muita obrigação, eis que me deparo com uma segunda daquelas, com trabalho atrasado, tendo que fazer compras de casa, atender no consultório e por fim, um jantar de uma querida amiga. Lá fui eu juntando meus pedaços cansados. Mas a amiga é muito querida e merece todo meu esforço. No restaurante, poucas amigas tinham chegado,sentei ao lado de Maria, que não conhecia.

Conversa vai, conversa vem, eis que Maria me conta que tinha se separado com 36 anos de casada... Este tipo de assunto me toca e todo meu cansaço sumiu. Fico ouvinte nestes momentos, para não dar bola fora. Estudo este assunto “separação “com muito afinco, e afinal estou num jantar e não num grupo de estudos. Mas Maria me envolveu de tal forma, que virei uma presa fácil.

A história é triste. Maria ficou internada por muitos meses, por conta de uma doença grave. Quando voltou para casa recuperada, teve que se readaptar a várias situações, inclusive a que o marido, neste tempo, tinha se envolvido com outra mulher e pediu o divórcio. Maria me conta que no início queria morrer, sofreu muito, mas precisava se cuidar pois a doença ainda lhe exigia certos controles. Passou tempos chorando, lágrimas em profusão. Mas como muitas mulheres, não queria que as filhas sofressem mais do que já tinham sofrido por ela.

A pergunta que me fiz, de que “material” são feitas algumas pessoas que superam tanta dor? E conseguem dar a volta por cima e tempo depois, se sentarem a mesa de um restaurante com toda dignidade, e serem bonitas, arrumadas, simpáticas e risonhas? O que faz com que algumas pessoas superem situações impensáveis por tantas outras? Amor? Força? Capacidade de se reinventar? Capacidade de ter um olhar no futuro? Capacidade de lidar com a imperfeição da vida e dos seres humanos?
São atitudes como esta relatada, que chamamos de superAção, mas de que/quem ela depende?

Para pensar....