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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Começou o ano e com ele, embora seja apenas uma convenção de calendário, nossas esperanças se renovam. Acho interessante, como podemos conjuntamente criar essa energia, a da decisão sobre nosso futuro. Claro, que com o tempo aprendemos que não adianta só desejar, ficar esperando que as coisas aconteçam. Mas, ao desejar, podemos também delimitar focos, imaginar cursos de ação. Investigar nossas possibilidades, obstáculos no caminho. Claro, também aprendemos que não adianta o melhor planejamento, algo sempre vai ser diferente, para o bem e para o mal.
Nesses dias pensamos: esse ano eu vou... me casar, me separar, viajar, ter mais tempo pra mim, ganhar mais dinheiro, dar mais atenção aos meus filhos, etc. etc. e tal.
Todos os anos são cheios de coisas boas e ruins. Alguns tendem mais para um lado do que para outro, mas a maioria, ao final, são anos em que a vida foi exatamente como ela é, cheia de boas notícias, de notícias não tão boas. Com dilemas e desafios, com pequenos milagres e pequenas decisões que fizeram grandes diferenças ou, ao contrário, grandes decisões que fizeram pequenas diferenças.
As separações, costumam fazer grandes diferenças. Mas, também são como a vida, tem muitas coisas difíceis para lidar, montes de aprendizagens à frente, muitas descobertas e novidades, ora agradáveis ora desagradáveis. Muitas pequenas e grandes decisões. Muitos desafios, alguns excitantes outros apavorantes! Mas, como a vida, as separações encontram um lugar em nossa história, ou melhor, cabe a nós encontrarmos um lugar para elas em nossa história.
Pensei hoje nas pessoas para as quais esse ano vai ser o primeiro de uma vida pós-separação, nas outras que estão maturando essa decisão há tempos e ela vai se concretizar esse ano. Em outras ainda, para as quais as separações serão um susto no ano que se inicia.
Para todas eu desejo um ano em que possam ficar tristes por um tempo, se isso for necessário. Se alegrar pelo mesmo tempo, pelo menos, porque isso é muito necessário. Desejo também que não percam de vista que nossas dores nos ensinam e que vêm e vão. Se pudermos pensar na maioria das coisas que nos faziam sofrer há 10 anos atrás, veremos que, possivelmente, a maioria não está mais presente em nós como dor, talvez, apenas como lembrança. Não importa quão agudas foram.
Desejo também que tenham coragem e esperança para trilhar seus caminhos e que nunca percam de vista que boa parte do caminho é feita por nós, portanto, podemos cuidar de nossas escolhas ao trilhá-lo. Cada escolha vai abrir novos caminhos e fechar outros. Nunca poderemos saber exatamente quais se abrem, quais se fecham, mas podemos ter alguns vislumbres. Uma vez um terapeuta, grande mestre para mim, disse: se você sabe o que não fazer, já é um grande passo. Sempre penso nisso. Se, pelo menos, eu sei claramente o que não quero, já ajuda muito. Então, desejo clareza uma boa parte do tempo, mas não todo, porque {as vezes na neblina, em uma certa confusão conseguimos inovar.
Desejo  movimento, porque acredito que movimento é vida e vice-versa e que, se tentamos não nos mover, nos seguramos a ideias, vidas, pessoas, adoecemos. Como dizem os budistas, o desapego é fundamental. Como eu digo, se por milênios tradições diversas vem investindo em maneiras de praticar o desapego é porque é difícil demais! Mas, desejo que todos possamos ao menos lembrar que é difícil e tentar alcançar um pouco mais no caminho.
Enfim, ao fim e ao cabo, desejo que todos possamos simplesmente viver um bom ano e que ao final dele possamos dizer que valeu, que aprendemos e que estamos inteiros, e prontos para continuar!
Tim tim!



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Então é Natal... diz a música. Época em que a palavra família ecoa nos ouvidos de todos. Época do ano em que porque ele está chegando ao fim, avaliamos nossos feitos e desfeitos. Essa época costuma ser difícil para as pessoas que passaram por separações, especialmente as recentes. O primeiro Natal, com filhos, sem marido, sem filhos, sem mulher, com filhos, sem filhos. Onde? Com quem? Sempre era lá, nunca era cá? Decidir tudo de novo. Se tem uma coisa que as separações promovem é decisões. Tudo o que antes era tradição, implícito torna-se visível, novo de novo.
Mais difícil fica quando tornamos o evento palco de disputas, de ver quem ganha o que, quem ganha mais. Aí, a época que se supõe de congraçamento e amor, vira mais uma confusão na vida dos ex e dos filhos deles. Os acordos de separação, em geral tem cláusulas específicas sobre essa época. Um ano com o pai, outro com a mãe. Dia 24 com um, 25 com outro. Ano novo com um, réveillon com outro. Ok, é importante a igualdade, contanto que as crianças não fiquem divididas ao meio para que os pais se sintam melhores.
Mas, para aqueles que estão sofrendo muito e que vêem nessas datas só uma lembrança do que perderam, quem sabe, fazer algo de totalmente diferente pode ser uma ideia. E, se inventássemos outras tradições? E, se convidássemos as pessoas para outras formas de celebração? E, se convidássemos as crianças a dizer como gostariam que fosse o Natal?
E se não déssemos tanta importância para um dia só no ano e que em duas ou três horas terá passado? E se não ficarmos tão fixados em como deve ser e pudermos explorar formas novas?
É aquela história de fazer uma limonada de um limão... Ou de vários limões, né?
Então, o SerParaAção, deseja a todos muita limonada neste Natal. Renovação, novas conexões conosco mesmos e com outros a sua volta.
Deixo de presente um texto, supostamente de Confúcio, que foi muito compartilhado na internet e acho que tem a ver com essa época e com todas as outras em que temos que lidar com nossas dores.


O SABOR DA DOR

O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse. 
- "Qual é o gosto?" perguntou o Mestre. 
- "Ruim" disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:
- "Beba um pouco dessa água".
Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
- "Qual é o gosto?"
- "Bom!" disse o rapaz
.- Você sente gosto do "sal" perguntou o Mestre?
- "Não" disse o jovem.

O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:
- A dor na vida de uma pessoa não muda.
Mas o sabor da dor depende do lugar onde a colocamos.
Então quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido das coisas.
Deixe de ser um copo.
Torne-se um lago...

(Confúcio)



Sejamos mais lagos do que copos em 2014! Ao menos tentamos, né? Rsrsrsr

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Dialogando com filhos
Diálogo 1

"Minha mãe diz que nós viemos aqui para nos sentirmos melhor. Meu pai diz que viemos aqui por que temos que vir".
"Por que você não fala sobre isso com sua mãe?"
"Se eu conto para minha mãe, ela liga para o meu pai e eles brigam.Eu não quero que eles briguem. Não quero que seja minha culpa."
"O que seria sua culpa?"
"Eles se divorciarem.Tudo o que eu faço só piora a situação"

Diálogo 2
"De novo, não sei o que fazer, meu aniversário tá chegando e é sempre a mesma história!"
"Qual história?"
"Eu tenho que fazer dois, na verdade, três aniversários, se quiser que todo mundo fique bem. Um pra minha mãe ir. Outro para meu pai e a mulher dele. E outro pra mim, (risos) com meus amigos".
"Por que tantos??"
"Porque um não quer estar onde está o outro. E ficam chateados se não faço um pra cada um."
"E o seu?"
"Ah, esse é pra eu me divertir!!!!"
"Quantos anos vc vai fazer?"
"28"
"Mesmo? E quantos anos você tinha quando seus pais se separaram?"
"4".

Poderia contar pra vocês mais algumas dezenas de diálogos como esses que tenho presenciado no meu consultório durante meus anos de prática. Não farei isso. Convido aos leitores a lembrar todos os que já presenciaram e viveram. Convido também à reflexão sobre as situações de divórcio que perduram. Segundo alguns, as pessoas mantém assim, um vínculo. Nunca se separam de verdade, porque nunca esquecem, ou se permitem esquecer por alguns instantes que algum dia passaram por isso e sofreram muito.
Continuamos conversando sobre isso. É um assunto complexo, com muitas formas de olhar. Há todas as histórias dos pais e mães envolvidas, às vezes extremamente sofridas. Mas, sempre me pergunto: como podemos melhorar nossas formas de nos separar? Será que é transformando nossas formas de amar?

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Falando de amor...

Amor e separação. Daqui a alguns dias estarei coordenando alguns encontros sobre o tema relações amorosas. Em algum momento, pensando sobre o tema, pensei: Nossa! Trabalho há tantos anos com divórcios e separações, com seus desdobramentos nada amorosos. Realizei grupos por mais de dez anos sobre o tema da separação conjugal. Ainda os realizo. Fiz dos grupos e das conversas, nas quais acredito tanto como forma de transformar relações conflituosas e belicosas em mais possíveis, o tema do meu doutorado. Nunca falei de amor, pensei! Só de desamor. Por que cargas d’água, de repente, vou conversar sobre amor?! E, é impressionante, como quando nos acostumamos a ver as coisas de um jeito, elas ficam desse jeito. Vou explicar: Hoje chego ao consultório de manhã. Depois de três clientes, todas vivendo ou tendo vivido um processo de separação, cada um com suas características. Totalmente diferentes entre si. Todos me emocionando profundamente em suas tentativas genuínas, do fundo do coração, do corpo e da alma, em busca de serem mais felizes de curar feridas, de lidar com os medos e seguir em frente. De recuperar coisas, restaurar, retomar a vida. Foi aí que uma luzinha (óbvia e nova ao mesmo tempo) me apareceu. Ela já vinha me cutucando há algum tempo, senão, não teria pensado em conversar sobre amor tão publicamente. Realizei que sim, falar de separação é sempre falar de amor. Parece óbvio, não? Afinal, estamos falando de um amor que acabou, da dor do amor desfeito, dos amores entre pais, mães e filhos que tentam arrumar um lugar para existir. Mas, não é só disso que estou falando. Ao conversar com essas pessoas, e com tantas outras e comigo mesma, percebo que nos separamos de maneiras muito parecidas com as maneiras que amamos. Há tantos tipos de amores, tantos mitos que inadvertidamente vivemos sem pensar. Há tantas intenções de amar que se tornam armas em guerras eternas. Todas as pessoas que passam pela minha vida, no consultório ou não, falando de suas dores e em suas separações, desejam muito o amor em suas vidas. Desejam encontrar outros amores, mas também desejam aprender a viver o amor. A relacionar-se amorosamente. Para isso, precisam superar muitas e muitas coisas que se misturam e confundem com amor, que chamamos tantas vezes de amor. Precisam perdoar a si e a outros por tudo que foi feito em nome de um amor. E aí, é que fica a pergunta sobre a qual gostaria de me debruçar: quando falamos de amor, ou melhor, quando vivemos o amor, o que realmente importa? Aliás, o que é isso que chamamos amor? Não é um enigma, embora eu ache que essas perguntas não têm respostas simples. Mas, o fato de fazê-la, me remete a uma sensação ainda difusa de que é necessário começar retirando disfarces, vendas, adereços, entende?



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Redivivos os bem idos

Minha colega de blog me pergunta sobre o que fazer sobre os amigos do casal separado. Comentei que amigos ficam ao lado. Que lindo e socialmente desejável, né? 

Reflito um pouco mais e respondo com o fim que dei aos amigos de minha ex-parceira. Enterrei a todos! Os próximos, a família, os colegas, os afins. Tear down the wall! Sepultei-os! A todos, ou quase todos. Adeus aos que tinha intimidade, aos chegados, aos solidários. Terra neles! Sete palmos. Um luto que mais cedo ou mais tarde, deles necessitei vestir. O negror do esquecimento, o preto do nada.


Vida que vem, minha ex-companheira me chama a seu "cumple años". De uma tacada vejo a muitos. À ela, aos seus, aos ex-desafetos,, ao rival. Beijo e abraço à minha linda enteada, aos afins, às queridas, a quem afetei e a quem me disse algo.


Incessante, arrebatou-me uma alegria sem fim. Uma euforia, um crescer do coração. O rever, ver de novo, com os mesmo olhos, talvez um tanto mais cansados porém menos míopes. Pessoas caras demais. E se deixasse a mente por si, era como se nada tivesse se passado. Só que havia também a tristeza limitante. A perda, o nunca mais, esse cruel obsediante. Um sentimento misturado que duas doses ajudaram a digerir.

Fui desenterrando. Um a um. E já não havia pranto para mortos reviventes. Como chorar à vida? Mesmo que esta cheire a caixão? Cada qual foi me ocupando seu lugar. Efemeramente, eu intuía. O amanhã, a cidade, a correria e a distância comeriam o reencontro.

O porvir os verá longe novamente. Mas naquele tempo, eram todos de novos meus. Amigos, parceiros, perfilados a meu lado na batalha diária. Ressurrectos, refaziam-se como parte de minha vida. Não aquela antiga que um dia foi e há muito partira. Mas o exato momento ora vivido. Féretro aberto,  o frescor do afeto exalou e expandiu minha compreensão. Foram importantes no passado, e o que nos houve reverbera até hoje em minha existência. Sigo flanando até que a encontro dançando seus antigos passos. Feliz a trilhar a mesma estrada. Erros repetidos em novos acertos. 

Uma voz me expulsaria de lá mas não sem antes obrigar-me a ouvi-la:
"Não restará pedra sobre aqueles que possuam o dom de submergir em si, de enterrar seus mortos. Eis que chegará a 25a hora. Tocada será a sétima trombeta! Saiam de suas tumbas todos os crentes na vida eterna. Apocalypse now. Redivivos os bem idos."

Estanco em um átimo e expando essa compreensão para outros falecidos. Da orfandade à parricidade. Contrito, encaminho os insepultos ao fogo. Compreendo o imperativo de se fechar portas, dar-lhe o nó. Encerrar a meada. Para que ela não nos consuma em zumbis.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Separar???

 Olá amigos do nosso blog, quanto tempo!
 Quero compartilhar com vocês os últimos dois anos da minha vida.Não foram fáceis, foi um período de muita inquietude... Logo eu que cantava aos quatros ventos que após os sessenta, com filhos criados, uma carreira consolidada, relações bem solidificadas, a vida seria um mar sereno. Não me perguntem de onde eu tirei esta ideia, mas acreditava nela. Talvez porque achasse, o que é verdade, que aos sessenta não se é tão jovem , mas também não se é tão velho assim. Ainda damos um bom samba ou um bom caldo.
Bem, voltando ao início do meu post, já há algum tempo vinha pensando em me separar. Talvez a primeira vez que pensei nisso foi há vinte anos, numa viagem pelo interior de Minas Gerais. Nesses dois últimos anos essa ideia se tornou presente demais. Em um determinado momento eu já não estava em lugar algum. Não estava satisfeita com minha vida, não me sentia plena, estava me achando acomodada, sem graça e afetivamente dependente de filhos e neto. Eles são muito, mas muito importantes para mim, com um porém , um pouquinho atrás de mim. E a ideia da separação me perturbando continuamente. Como assim se separar depois dos sessenta? Esta mulher só pode ser louca varrida! E tome de sofrimento, já estava até convencida que eu era realmente completamente maluca, largar tudo... me mandar.. ir embora...Estava tudo nos lugares, família legal, amigos queridos...e eu não estava satisfeita com minha vida! Como se explica essa insatisfação sútil para os amigos. Agora é hora de sossegar o facho, Nadia, (eu percebia nas expressões de surpresa, de desagrado,  de "você vai cometer uma tremenda burrice"). E eu só, muito só para decidir. Meu deus como a gente se sente desamparada nessa hora de tomar uma decisão, como se deseja um colo, uma garantia de que tudo vai ser bom, que sua vida vai ser muito melhor. e ninguém lhe garante nada, E nem pode, pois a decisão é só sua. Seus filhos já tomaram seus rumos ou estão prestes a. Então seu destino está em suas mãos. Não é uma escolha fácil, tinha muito a perder e apostando em algo melhor. Sairia da famosa zona de conforto em busca de novos caminhos. Uma bandeirante do século vinte e um. E tome sofrimento, noites em claro, pois não havia um motivo escalafobético, daqueles que todo mundo vai te apoiar, havia tão somente um desejo de paz, de tranquilidade. Mas dói ,como dói! 
Foi assim amigos, que no dia 31 de janeiro deste ano, bati a porta do meu apartamento no Jardim Botânico, no Rio e chorando ao me despedir do apartamento, das empregadas, dos porteiros, peguei o carro com mala e cuia e os dois cachorros e me separei. Sim, me separei porque já não suportava mais estar entre o ir e o ficar. Fui , com a cara e com uma pequena coragem rumo a minha nova vida. Não sem antes chorar litros e litros ao me despedir de cada pequena ou grande coisa que compunham a minha vida, dos meus filhos e neto amados,dos meus amigos insubstituíveis,do meu consultório, dos meus pacientes queridos, da Lagoa Rodrigo de Freitas, dos meus programas, dos meus museus e do tantão de coisas que tornam a nossa vida gostosa.
Hoje estou aqui  em  Tiradentes, MG, com meu marido, cidade que visitei pela primeira vez há vinte anos e que me fez pensar que a vida  pode ser boa, também, longe da cidade grande, do barulho de sirenes, de assaltos, engarrafamentos e mais perto da natureza e da simplicidade.
Aqui posso viver e me sentir mais tranquila até...até quando eu quiser .

Esta é a história da minha separação!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A esperança de tudo se ajeitar

E, começa um novo ano... E, mesmo que isso signifique apenas que todos que seguem um calendário convencionaram que tudo fica para trás e começamos tudo de novo após mais uma noite, o efeito não é de se jogar fora. São milhões, até bilhões de pessoas pensando que "daqui pra frente tudo vai ser diferente", como diz o cantor. Mais do que fogos, mais do que o branco e dourado, mais do que os votos, vale a vontade de estar diferente no novo ano. E, fazer novos os dias do novo ano. Essa é a esperança que podemos a cada virada, de ano, de mês de dia, levar. Separações às vezes parecem becos sem saída. Às vezes parecem finais apenas. Demoramos para ver nelas o início de algo, portas e caminhos. Em 2012, e em todos os nossos dias, desejo aos leitores do nosso blog a esperança e a possibilidade de ver caminhos, sempre...
Um 2012 pleno de esperança a todos!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Continuando....

Continuando no tema das redes, hoje temos uma comemoração de Natal do grupo que acabamos de realizar com pessoas que passaram pelo divórcio em suas famílias. Homens, mulheres e jovens (filhos de pais separados). Essa comemoração, em que a iniciativa, a organização e tudo o mais foi dos participantes do grupo, me dá a certeza de que um dos principais objetivos do grupo foi alcançado. Os grupos são formas das pessoas formarem, ampliarem ou ativarem redes sociais de pertencimento. Ao acabar o grupo, a convivência que tiveram, as conversas, etc. fazem com que todos tenham vontade de continuar conversando. Mas, não necessariamente no grupo. Muito mais interessante é participar desse movimento, espontâneo que continua, amplia o trabalho. Não são todos que estão neste movimento e os que estão não estão igualmente. Daqui a algum tempo, talvez ele cesse. Mas, importante, algumas pessoas permanecerão na vida uns dos outros e algumas são boas lembranças de boas conversas, o que também compõe a nossa rede. São como as luzinhas coloridas de Natal. Trazem algum brilho, luz, para nosso dia a dia.
Boa celebração de final de ano para nós e nosso grupo!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Com quem eu conto

Uma das coisas mais difíceis de lidar na separação é a rearrumação do que chamamos redes sociais. As redes sociais são aquelas relações que fazem parte de nossa vida de formas muito diferentes a cada momento, mas quando não estão, mesmo por um momento fazem com que  a gente se sinta menos a gente mesmo. Pode ser um grande amigo, daqueles que você sabe que pode ligar de madrugada e ele vai responder, mas pode também ser o jornaleiro, que sempre dá bom dia, todos os dias quando você sai para o trabalho. As redes sociais são parte do que somos no mundo.
As separações geram mudanças repentinas, às vezes explosivas, nas redes. Pessoas que faziam parte do seu cotidiano, já não estarão lá no dia seguinte, etc. A parte boa é que elas se refazem e conhecemos outras pessoas que passam a fazer parte de nossas vidas.
Uma reflexão útil sobre as redes é pensar com quem eu conto para determinadas coisas na vida. Por exemplo, com quem eu conto para me divertir? E, para me ajudar com as crianças? Para me ouvir quando estou precisando falar? Para me aconselhar com dinheiro? Enfim, essa reflexão permite que vejamos onde nossa rede é mais rica, onde precisamos olhar com mais cuidado. E, principalmente vermos que não estamos sozinhos e, muito provavelmente, fazemos parte da rede de muitas outras pessoas também.
Até breve

domingo, 28 de agosto de 2011

OUTRAS SEPARAÇÕES


"Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."
Vinícius de Moraes

Gostaria de falar hoje de um tema que machuca tanto quanto, mas não se trata de separação entre um homem e uma mulher, de um divórcio, mas separações de pessoas que mantém fortes laços de amizade, laços familiares e relacionamentos de trabalho.
Tudo vai andando bem, até que um dia... a coisa desanda. E tem consequências...

Toda e qualquer separação dói, tenha a natureza que tiver. Dói muito, machuca, fere.
Abrir mão, mesmo que não se querendo, mas se tendo que, de um amigo/a querido/a, dói .
Abrir mão de um contato mais próximo com um parente querido, mesmo que
tenhamos razões de sobra, para tomarmos esta atitude, dói.
Abrir mão de um amigo/a de trabalho, em quem depositávamos confiança, dói.

Essa dor se chama saudade de não podermos mais ter o convívio cotidiano com essas pessoas. Não podemos contar mais com suas presenças, por quê? Por que, por mais que doa, o contato estava nos afetando, não era mais prazeroso. Algo nestas pessoas nos fazia sentir desconfortáveis, sem a espontaneidade em sermos nos mesmos.

Com certeza um dia a saudade vai apertar e vem o pensamento, que vontade de saber como ele/a vai tocando a vida, doeu tanto nele/a quanto para mim?

Mas uma crença e uma idéia, que cada vez me parece mais sábia é que devemos selecionar com quem queremos nos dar: dar a nossa amizade, dar nosso carinho, dar nossa disponibilidade emocional.

Em alguns casos este afastamento, mesmo que doloroso, nos faz pensar melhor no que é bom para o nosso convívio e no que não é, quem nos enriquece, e quem não, quem nos alimenta de afeto, e quem não, quem nos ouve e quem não é capaz disso.

À quem podemos retribuir com a mesma disponibilidade, este afeto e este cuidado?

Com o afastamento podemos pensar melhor, com maior clareza, sem tantas interferências, na nossa escolha. Para escolher precisamos de momentos só nossos, de introspecção, de um mergulho em nos mesmos, para respondermos questões que só nós sabemos as respostas.

Concluímos então, que as separações que vimos, nos traz vantagens de termos as rédeas de nossas vidas, escolhendo o que é melhor para nós, e não nos permitindo viver a dor que machuca, que nos fere e que nos deixa impotentes frente a vida.




segunda-feira, 4 de julho de 2011

Japoneses comemoram divórcio com festa!

Se, no Brasil, ainda estamos estranhando a presença da ex no novo casamento do homem, e vive-versa, no Japão já temos novidades sobre uma questão muito controvertida: os rituais para a separação. Esse é um tema que sempre promove questionamentos e debates. Afinal, como seria um ritual para o divórcio? É uma celebração? Se dá parabéns ou pêsames? Como se comportar? Quem vai estar presente? E, antes de tudo isso: faz sentido um ritual para a separação conjugal? Enfim, vou apenas "levantar a bola" inspirada na reportagem do Jornal Hoje do dia 04/07 que retrata uma cerimônia que ritualiza o divórcio. Ela foi criada no Japão e originou inclusive uma nova profissão: o organizador de divórcios. Alguém se habilita?
Também me chamou a atenção a conexão com os terremotos e tsunamis.  Como esses momentos limite levam as pessoas a redimensionar suas vidas e relações. Mas, isso já dá outra conversa.... No momento estou curiosa com o que vocês tem a dizer sobre a ritualização do divórcio. Abaixo o link para o video. 
http://g1.globo.com/videos/jornal-hoje/v/japoneses-comemoram-os-divorcios-com-festa/1554195/

sábado, 2 de julho de 2011

Até a ex apareceu!!!

Com esta frase a repórter da Rede TV se refere ao fato de que no casamento de Marcello Antony sua ex- mulher, a também atriz Monica Torres, foi convidada, aceitou o convite e foi ao evento... A capa da revista Caras desta semana também dá destaque à presença. Minha atenção foi capturada por esse destaque da revista e resolvi pesquisar na rede e percebi que a presença da ex no casamento parece ter sido surpreendente ou motivo de destaque em todas as reportagens. Dando também destaque ao fato de que a ex, Monica, compareceu ao casamento com seu atual marido. Ela também se casou... Os filhos de todos (da noiva e do noivo) estavam presentes.
Fiquei tocada por todo esse alvoroço em torno da presença da ex no casamento. Para além da possível falta de assuntos mais impactantes no terreno das celebridades, me fez pensar que ainda temos a expectativa de que ex-maridos e ex-mulheres não conseguirão ser amigos, parceiros, ou mesmo ter uma relação de carinho e confiança. Claro que, ao destacar tal fato, a revista até pode ajudar, chamando atenção para a possibilidade. Quem sabe, os fãs vão querer, a partir de agora, imitar o comportamento dos ídolos e ter relações menos adversariais com seus ex.
Para os filhos dos atores deve ter sido bom poder estar com os pais, não ter que viver uma tensão por um ou dois casamentos. Bom, isso estou eu imaginando, desejando, que o que aparece nas notícias seja verdade. Todas as notícias à época da separação de Marcello e Monica atestam por seus depoimentos que mantiveram a separação em segredo para preservar os filhos e que continuam morando no mesmo condomínio para facilitar o acesso das crianças aos dois. Louvável.
Porém, o assunto aqui não se refere exatamente aos casais desfeitos ou novos, mas ao senso comum e ao papel da mídia em relação às situações de separação e divórcio. O destaque dado à presença de ex no casamento denota a surpresa, o inusitado da situação. Não é esperado por nós que o pai e mãe dos filhos possam conviver e partilhar situações tão importantes para os próprios filhos como os novos casamentos dos pais e mães... Eu bem sei que isso realmente não acontece em muitos casos e que os novos casamentos costumam, muitas vezes,  remexer em feridas antigas. Mas, mesmo assim, ingênuamente ou não, acho que poderia ser mais corriqueiro que fosse assim como foi com os atores...

domingo, 26 de junho de 2011

DOIS LADOS DE UMA MESMA MOEDA


Lendo o último post da Rosana, comecei a pensar no significado da dor, da tristeza nos nossos tempos. No medo dos pais de causar qualquer tipo de desconforto aos filhos. Por que será?
Este pensamento me levou a uma triste conversa que tive com uma amiga, que tinha perdido um filho recentemente, me dizendo que mostrar a dor é feio, que as pessoas a sua volta queriam que ela reagisse a perda ...Talvez, nem tivessem a consciência que estavam com medo de sofrer também.

O certo é que vivemos numa sociedade que não acalenta aqueles que estão tristes, os que estão sofrendo: por favor, fiquem de longe, como se tratava os leprosos antigamente, pode ser uma doença contagiosa!

Mas a dor física e emocional fazem parte da vida, da condição humana .E como!

A dor do parto, por exemplo, está ligada a dor da separação. O bebê é parte da mãe. A dor do parto leva a mulher a uma separação necessária, para o bebê nascer. É interessante que a dor do parto muito se assemelha a dor de uma separação. Tem um rítmo, num momento é um contração forte, depois tem um pequeno intervalo, para voltar com intensidade. Como se fosse o tempo instável da dor da separação emocional.

No entanto, a dor deve ser vista como um elemento de transformação pessoal. No parto quando se chega a uma dor limite, o corpo reage e se ganha mais uma vida. Nas relações humanas o mesmo pode acontecer, a dor chega a um limite, que vai ajudar na reconstrução de um novo ser. Este momento de crise pode levar a grandes transformações, como o surgimento da coragem para enfrentar situações difíceis, a capacidade de superação, com um natural aumento da auto-estima. Existem estudos que comprovam, que a maioria dos filhos de pais separados tem uma maior autonomia de vida.

Os pais que não querem fragilizar mais seus filhos, no momento de falar da separação, disfarçam a própria dor, sentem como se separar fosse um fracasso pessoal e não uma busca de melhor qualidade de vida. Afinal de contas, teriam que tudo fazer para evitar que os filhos sofressem, não sentissem dor...Se eu chorar em quem meus filhos vão se apoiar? E se mostrar meu sofrimento, como vão se sentir? Preciso ser forte para proteger meus filhos. Quanta energia desperdiçada...

Querem poupar os filhos de dores que a sociedade não dá conta e que fazem parte da natureza humana.

Mas, naquele momento, não podem ainda perceber que tudo na vida tem dois lados.